Caetano Veloso
Caetano Veloso é um dos maiores vultos da cultura brasileira da segunda metade do século XX, destacando-se não só como músico, mas também como poeta, realizador de cinema e activista político.
Caetano nasce no ano de 1942 em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, e dessa peculiar região absorve a rica cultura musical influenciada pela música do Caribe, África, e pop norte-americana. Mas é da sensual e sedutora sonoridade da bossa-nova de João Gilberto, o seu maior ídolo, que Caetano viria a retirar as bases da sua pop ecléctica.
Aos 23 anos, vence no Rio de Janeiro (para onde se tinha deslocado com a sua irmã Maria Bethânia) um concurso musical com o tema "Um Dia", e é rapidamente convidado a assinar contrato com a editora Phillips. Juntamente com outros músicos, como Gal Costa ou Gilberto Gil, representa uma nova geração daquilo a que se viria a chamar a "nova vaga da música popular brasileira" (MPB).
O jovem Caetano, brilhante, criativo e ambicioso, torna-se rapidamente numa figura controversa pelas suas intervenções políticas onde predominava um discurso de esquerda. Em 1967, alinhado com o movimento hippie, cria, com Gilberto Gil, um dos seus ídolos e amigos, uma nova corrente musical e estética que viria a ser apelidada de "tropicalismo". Eclético e desafiador de velhas convenções (musicais e ideológicas), o tropicalismo mantinha uma forte ligação à bossa-nova, à qual acrescentava novas sonoridades folk-rock e outras mais barulhentas onde predominava a guitarra eléctrica, secções onde se dizia poesia ou dissonância típica do jazz. Mas a verdade é que todo este arrojo não recolhia a simpatia dos fãs mais ortodoxos da pop brasileira tradicional, e Caetano e Gil chegam mesmo a sofrer na pele represálias devido às suas posições ideológicas e políticas, por parte de uma ditadura militar (que vigorava no Brasil desde 1964) que não apreciava a sua atitude, artística e politicamente, desafiadora. Às tentativas de cancelamento de concertos, de actuações em programas de TV e rádio e censura de letras de músicas, seguiu-se a prisão e mesmo o exílio, em 1968, em Londres (juntamente com Gilberto Gil). Mesmo no estrangeiro, Caetano não pára de compor e gravar temas, alguns deles para outros nomes do tropicalismo, regressando ao Brasil definitivamente apenas em 1972.
Nos anos seguintes, Caetano consolida o seu estatuto, com um currículo interminável, que vai de concertos e edição de álbuns, até à escrita de artigos, poesia e publicação de livros.
Na década de 80, começa a internacionalizar-se. Em 1983, com 41 anos, toca, pela primeira vez, nos EUA, e recebe críticas elogiosas por parte dos críticos e de outros músicos, como Robert Palmer. Inicia então colaborações com alguns músicos de Nova Iorque, como Arto Lindsay ou David Byrne, mas nunca atribuiu especial significado a isso. Caetano, embora bastante popular no Brasil, e, agora, já fora dele, nunca se preocupou demasiado com a fama, procurando sim, a cada álbum, melhorar, como homem e músico.
Em 1989, edita "O Estrangeiro" (produzido por dois Ambitious Lover, Arto Linsay e Peter Scherer), que se torna um sucesso além fronteiras, aumentando significativamente a sua popularidade, que atinge um dos pontos altos em 1994, com "Tropicália 2", gravado com Gilberto Gil. O disco alcança grande êxito nos EUA, onde chega ao nono lugar das tabelas de vendas. No restante da década, edita álbuns como "Fina Estampa", "Circuladô", ou "Circuladô Ao Vivo", que atestam a vitalidade da sua carreira, comprovada, mais uma vez, em 1997, com uma extensa digressão pelos EUA.
Dois anos depois, é assunto de um extenso artigo na prestigiada revista Spin, onde lhe é feito um retrato lisonjeiro, na véspera da edição norte-americana do seu aclamado álbum, "Livro", que é editado em simultâneo, com um livro, de facto, intitulado "Verdades Tropicais".
Em 1999, é editado "Omaggio A Frederico E Giuletta", um álbum gravado ao vivo, resultado de um concerto de homenagem ao realizador italiano Frederico Fellini e à sua esposa, a actriz Giuletta Massina.
No ano seguinte, Caetano vence um Grammy para Melhor Álbum, com "Livro", na primeira edição anual dos Latin Grammy Awards.
Em 2001, é editado "Noites Do Norte", um álbum que nos mostra um Caetano Veloso no seu melhor e que continua a surpreender pela sua grandiosidade e simplicidade. No final do mesmo ano, Caetano editou em disco uma espécie de resumo dos concertos da digressão promocional de "Noites do Norte", a que chamou simplesmente "Noites do Norte Ao Vivo".
No ano seguinte, o músico grava "Eu Não Peço Desculpa" com Jorge Mautner, um disco que viria a ser nomeado para os Grammys latinos em 2003, na categoria de melhor álbum de música brasileira. No mesmo ano, sai o primeiro DVD de Caetano Veloso, intitulado "Muito Mais", para assinalar 35 anos de carreira. Os temas reunidos nesta edição foram escolhidos pelos fãs através da Internet.
Em 2006 foi editado "Cê", um disco em que Caetano recupera o registo pop de outros trabalhos. O álbum foi bem acolhido pela crítica mas causou polémica devido às referências sexuais de algumas das letras. Um ano depois, a Universal assinalaria os 40 anos de ligação entre o músico e a editora com uma caixa dividida em quatro partes, "Quarenta Anos Caetanos".
Cê" dá a Caetano um Grammy Latino para o Melhor Cantautor, pelo tema 'Não Me Arrependo'.
Em Maio de 2008, Caetano estreia o espectáculo "Obra em Progresso" no Rio de Janeiro. É criado um blog com o mesmo nome, onde o músico relatou todo o processo de composição de "Zii e Zie", desde Junho até Abril de 2009, altura em que o disco é editado.
"Zii e Zie" é dedicado ao Rio de Janeiro, mas traz uma música dedicada à nossa Aveiro, chamada 'Menina da Ria'.
À semelhança de "Cê", o novo disco também é pretexto para dois concertos no Coliseu de Lisboa e outro no Coliseu do Porto, em Julho de 2010. Nestes três espectáculos (o concerto de apresentação a "Cê" ocorre no final de 2007), Caetano mostra um pendor bem mais rock do que a bossa nova e o acústico que marcou grande parte da sua carreira. O brasileiro também leva o seu samba-rock a outros pontos do país, desde o Algarve a Oeiras, continuando a provar a popularidade junto do público nacional.
Em 2012, Caetano Veloso edita "Abraçaço".
Gonçalo Passinhas
Caetano nasce no ano de 1942 em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, e dessa peculiar região absorve a rica cultura musical influenciada pela música do Caribe, África, e pop norte-americana. Mas é da sensual e sedutora sonoridade da bossa-nova de João Gilberto, o seu maior ídolo, que Caetano viria a retirar as bases da sua pop ecléctica.
Aos 23 anos, vence no Rio de Janeiro (para onde se tinha deslocado com a sua irmã Maria Bethânia) um concurso musical com o tema "Um Dia", e é rapidamente convidado a assinar contrato com a editora Phillips. Juntamente com outros músicos, como Gal Costa ou Gilberto Gil, representa uma nova geração daquilo a que se viria a chamar a "nova vaga da música popular brasileira" (MPB).
O jovem Caetano, brilhante, criativo e ambicioso, torna-se rapidamente numa figura controversa pelas suas intervenções políticas onde predominava um discurso de esquerda. Em 1967, alinhado com o movimento hippie, cria, com Gilberto Gil, um dos seus ídolos e amigos, uma nova corrente musical e estética que viria a ser apelidada de "tropicalismo". Eclético e desafiador de velhas convenções (musicais e ideológicas), o tropicalismo mantinha uma forte ligação à bossa-nova, à qual acrescentava novas sonoridades folk-rock e outras mais barulhentas onde predominava a guitarra eléctrica, secções onde se dizia poesia ou dissonância típica do jazz. Mas a verdade é que todo este arrojo não recolhia a simpatia dos fãs mais ortodoxos da pop brasileira tradicional, e Caetano e Gil chegam mesmo a sofrer na pele represálias devido às suas posições ideológicas e políticas, por parte de uma ditadura militar (que vigorava no Brasil desde 1964) que não apreciava a sua atitude, artística e politicamente, desafiadora. Às tentativas de cancelamento de concertos, de actuações em programas de TV e rádio e censura de letras de músicas, seguiu-se a prisão e mesmo o exílio, em 1968, em Londres (juntamente com Gilberto Gil). Mesmo no estrangeiro, Caetano não pára de compor e gravar temas, alguns deles para outros nomes do tropicalismo, regressando ao Brasil definitivamente apenas em 1972.
Nos anos seguintes, Caetano consolida o seu estatuto, com um currículo interminável, que vai de concertos e edição de álbuns, até à escrita de artigos, poesia e publicação de livros.
Na década de 80, começa a internacionalizar-se. Em 1983, com 41 anos, toca, pela primeira vez, nos EUA, e recebe críticas elogiosas por parte dos críticos e de outros músicos, como Robert Palmer. Inicia então colaborações com alguns músicos de Nova Iorque, como Arto Lindsay ou David Byrne, mas nunca atribuiu especial significado a isso. Caetano, embora bastante popular no Brasil, e, agora, já fora dele, nunca se preocupou demasiado com a fama, procurando sim, a cada álbum, melhorar, como homem e músico.
Em 1989, edita "O Estrangeiro" (produzido por dois Ambitious Lover, Arto Linsay e Peter Scherer), que se torna um sucesso além fronteiras, aumentando significativamente a sua popularidade, que atinge um dos pontos altos em 1994, com "Tropicália 2", gravado com Gilberto Gil. O disco alcança grande êxito nos EUA, onde chega ao nono lugar das tabelas de vendas. No restante da década, edita álbuns como "Fina Estampa", "Circuladô", ou "Circuladô Ao Vivo", que atestam a vitalidade da sua carreira, comprovada, mais uma vez, em 1997, com uma extensa digressão pelos EUA.
Dois anos depois, é assunto de um extenso artigo na prestigiada revista Spin, onde lhe é feito um retrato lisonjeiro, na véspera da edição norte-americana do seu aclamado álbum, "Livro", que é editado em simultâneo, com um livro, de facto, intitulado "Verdades Tropicais".
Em 1999, é editado "Omaggio A Frederico E Giuletta", um álbum gravado ao vivo, resultado de um concerto de homenagem ao realizador italiano Frederico Fellini e à sua esposa, a actriz Giuletta Massina.
No ano seguinte, Caetano vence um Grammy para Melhor Álbum, com "Livro", na primeira edição anual dos Latin Grammy Awards.
Em 2001, é editado "Noites Do Norte", um álbum que nos mostra um Caetano Veloso no seu melhor e que continua a surpreender pela sua grandiosidade e simplicidade. No final do mesmo ano, Caetano editou em disco uma espécie de resumo dos concertos da digressão promocional de "Noites do Norte", a que chamou simplesmente "Noites do Norte Ao Vivo".
No ano seguinte, o músico grava "Eu Não Peço Desculpa" com Jorge Mautner, um disco que viria a ser nomeado para os Grammys latinos em 2003, na categoria de melhor álbum de música brasileira. No mesmo ano, sai o primeiro DVD de Caetano Veloso, intitulado "Muito Mais", para assinalar 35 anos de carreira. Os temas reunidos nesta edição foram escolhidos pelos fãs através da Internet.
Em 2006 foi editado "Cê", um disco em que Caetano recupera o registo pop de outros trabalhos. O álbum foi bem acolhido pela crítica mas causou polémica devido às referências sexuais de algumas das letras. Um ano depois, a Universal assinalaria os 40 anos de ligação entre o músico e a editora com uma caixa dividida em quatro partes, "Quarenta Anos Caetanos".
Cê" dá a Caetano um Grammy Latino para o Melhor Cantautor, pelo tema 'Não Me Arrependo'.
Em Maio de 2008, Caetano estreia o espectáculo "Obra em Progresso" no Rio de Janeiro. É criado um blog com o mesmo nome, onde o músico relatou todo o processo de composição de "Zii e Zie", desde Junho até Abril de 2009, altura em que o disco é editado.
"Zii e Zie" é dedicado ao Rio de Janeiro, mas traz uma música dedicada à nossa Aveiro, chamada 'Menina da Ria'.
À semelhança de "Cê", o novo disco também é pretexto para dois concertos no Coliseu de Lisboa e outro no Coliseu do Porto, em Julho de 2010. Nestes três espectáculos (o concerto de apresentação a "Cê" ocorre no final de 2007), Caetano mostra um pendor bem mais rock do que a bossa nova e o acústico que marcou grande parte da sua carreira. O brasileiro também leva o seu samba-rock a outros pontos do país, desde o Algarve a Oeiras, continuando a provar a popularidade junto do público nacional.
Em 2012, Caetano Veloso edita "Abraçaço".
Gonçalo Passinhas





